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Deus Mandou Matar?

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logo.PNGHá continuidade ou não entre o conceito de guerra santa do Antigo Testamento e os princípios éticos do Novo Testamento? 

Servimos ao Senhor dos Exércitos ou ao Príncipe da Paz ? Ou Deus é ambos? 

De que maneira nossas ações deveriam refletir o caráter divino nestes tempos perigosos?

O atentado em 11 de setembro de 2001 chamou a atenção para a dura realidade da jihad. Entretanto, a guerra santa não é nova, nem é invenção do islamismo. O Antigo Testamento registra o genocídio cananeu em nome de Yahweh. Como harmonizar isto com os ensinos de Jesus que nos ordenam amar nossos inimigos e vencer o mal com o bem? Se nossa teologia gera seu fruto em nosso procedimento como cristãos, não podemos ignorar a questão da violência na Bíblia.

Escritos por quatro eruditos, os pontos de vista apresentados nesta obra provocante permitem que o leitor compare as perspectivas distintas acerca da guerra santa, do juízo divino e do uso da força bruta, a fim de chegar às suas próprias conclusões em relação ao que a Bíblia ensina. O desafio está feito!” * 

O livro “Deus Mandou Matar?: 4 Pontos de Vista Sobre o Genocídio Cananeu” contempla o dilema que muitos cristãos vivem, inclusive nos dias de hoje: – Como relacionar o Deus apresentado no Antigo Testamento (AT), com o Deus revelado no Novo Testamento (NT)?

Esta certamente é uma pergunta desconcertante que qualquer cristão pode enfrentar, e que devido os acontecimentos dos últimos tempos, se torna cada vez mais freqüente.

Admito que eu mesmo já passei por uma situação embaraçosa, quando um colega do serviço, em meio a um assunto sobre  terrorismo, questionou a diferença entre os atos terroristas e a máxima do novo testamento: “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé”Ex 21:24. Na ocasião, só me restou admitir que não tinha argumentos para esta observação, uma vez que nunca havia questionado, ou mesmo pensado sobre isso. Desde então passei a estudar o assunto, até que cheguei a este livro.

O sexto mandamento ordena: “Não matarás” Ex 20:13. Esta ordem foi revelada a Moisés pelo próprio Deus, desta forma, podemos interpretar esta ordem, como sendo Sua vontade para Seu povo. Mas ao prosseguirmos um pouco mais na história, lemos:“E o SENHOR teu Deus a dará na tua mão; e todo o homem que houver nela passarás ao fio da espada. Porém, as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR teu Deus. Assim farás a todas as cidades que estiverem mui longe de ti, que não forem das cidades destas nações. Porém, das cidades destas nações, que o SENHOR teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida. Antes destruí-las-ás totalmente: aos heteus, e aos amorreus, e aos cananeus, e aos perizeus, e aos heveus, e aos jebuseus, como te ordenou o SENHOR teu Deus.”Dt 20:13-17. A primeira vista, parece ser esta uma contradição ao mandamento entregue a Moisés, mas não devemos deixar de considerar que o amor de Deus para com o seu povo não se sobrepõe ao seu atributo de justiça (Sl 11:7). Cabe aqui, a pergunta feita por Bildade, um dos amigos de Jó: “Porventura perverteria Deus o direito? E perverteria o Todo-Poderoso a justiça?” Jó 8:3. Podemos considerar ainda a própria natureza do pecado, que é a morte (Rm 6:23).

Contudo, no versículo 11 do capítulo 33 do livro de Ezequiel, lemos a seguinte passagem: “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos…”.Nela, vemos claramente que o Senhor não deseja a morte, nem mesmo dos ímpios, apesar de sentir profundo desgosto pelo pecado.

Lembrar do livro de Apocalipse, que pertence ao NT e foi escrito pelo apóstolo que soube interpretar da maneira mais amorosa a passagem de Jesus sobre a terra, na minha opinião, é o principal elo de ligação entre o AT e o NT. Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8).

A leitura é de fato muito atraente, não só por apresentar o assunto por 4 pontos de vista distintos, mas por permitir a discussão entre todos os autores, que após cada capítulo, escreve sua “réplica” ao capítulo apresentado.

É uma leitura muito interessante!

Leia abaixo, os trechos de maior destaque de cada autor e seu ponto de vista:

  • Descontinuidade  Radical

“Se o nosso Deus é semelhante a Cristo, podemos afirmar categoricamente que Deus não é destruidor. A morte não é parte da criação original de Deus, pois não mais haverá ‘morte nem tristeza, nem choro nem dor’ na nova criação (Ap 21:4). Deus não se envolve em violência, seja punitiva, seja redentora, seja sagrada. Violência e morte são conseqüências intrínsecas à violação da ordem criada por Deus. São obras de Satanás, pois este foi ‘homicida desde o princípio’ (Jo 8:44). Deus não utiliza a morte de maneira proativa, como instrumento de juízo, uma vez que a morte é um inimigo, o ‘último inimigo a ser destruído’ por Cristo (1 Co 15:20-28). Deus não faz acordo com o inimigo.” * p. 35

C. S. Cowles, professor de Bíblia e Teologia no Point Loma Nazarene University.

  • Descontinuidade Moderada

“Um fator de fundamental importância a ser considerado na análise sobre o problema da guerra de Javé, e sua seqüência natural no uso do herem ou genocídio, é a natureza de Deus, pois ele, segundo o texto sagrado, que o concebeu, incentivou, implementou e dela se beneficiou. Contudo, é impossível obter uma compreensão total dessa natureza, de modo que devemos nos concentrar com a síntese teológica de que Deus é Santo, correto inculpável e justo, mas também benigno misericordioso e pronto a perdoar. Esses traços exclusivos e evidentes do caráter de Deus coexistem mutuamente no registro bíblico sem uma solução humanamente inteligível. Portanto, o dilema moral e ético da guerra de Javé também deve permanecer sem uma explicação racionalmente satisfatória. O máximo que se pode dizer, correndo-se o risco de cair num jargão, é que, se Deus é tudo o que a Bíblia diz ser, então tudo o que ele faz deve ser bom – e inclui autorizar o genocídio.Contudo, deve-se prontamente reiterar que o genocídio sancionado pelas Escrituras Sagradas foi único quanto ao seu momento, lugar e circunstâncias.” * p. 104

Eugene H. Merrill, professor de Antigo Testamento no Dallas Theological Seminary.

  • Continuidade Escatológica

“A ordem divina de exterminar um inimigo reflete sua santidade e justiça, mas estas não podem ser entendidas sem a misericórdia, a graça e longanimidade do mesmo Deus. É de fundamental importância no ensino do NT esse confronto da santidade e da justiça com a misericórdia e a graça, expresso no sofrimento santo e inocente de Jesus em sua morte. Ao morrer, Ele suportou toda a ira da justiça de Deus no lugar da raça humana. Aqui está o Cordeiro, o sacrifício por todos que estão em inimizade contra Deus. O mundo permanece condenado sob a perfeita santidade e justiça de Deus. Foi para essa massa humana condenada que Deus enviou seu Filho para trazer resgate, vida e salvação a todos os que crêem. Desta forma, a justiça de Deus é transformada por meio de sua misericórdia.No Jesus escatológico, encontra-se a unidade entre o tempo e a eternidade e também a unidade entre os Testamentos.” * p. 149-150

Daniel L. Gard, professor de Teologia Exegética no Concordia Theological Seminary.

  • Continuidade Espiritual

“Muitos cristãos tem renegado o AT, afim de evitar o envolvimento com os atos sangrentos de Deus, encontrados naquelas páginas. Eles percebem uma grande diferença entre o Deus de Josué e Jesus Cristo, que ensinou a amar os inimigos e oferecer a outra face. Entretanto desprezar o AT é mera conveniência, e os que fazem isso ignoram o fato  de que o NT  se alicerça na revelação do AT, confirmando suas mensagens, explícita e implicitamente. Além do mais, como contataremos a seguir, o NT, em última análise é igualmente sangrento. Não é admissível que simplesmente separemos o AT do cânon das Escrituras e moldemos  o Deus que adoramos de acordo com o que pensamos ser aceitável” * p. 169

Tremper Longman III, professor de Antigo Testamento no Westmont College.

Veja algumas opiniões publicadas no site da editora: 

“A prática do que denominamos ‘limpeza étnica’ está presente na origem das etnias como grupos socializados, e a religião tem sido sua maior motivação há milênios. A abordagem específica dos autores sobre o tema possibilita ao leitor o conhecimento bíblico e acesso aos segmentos da Antropologia e da Sociologia. É importante destacar nesta obra que a chamada ‘guerra santa’ não terminou com o Antigo Testamento e que os atos em nome de Deus ainda permeiam o imaginário religioso de vários povos.” **Reginaldo Borges, doutor em Missões Urbanas pela Faculdade Teológica Sul-Americana de Londrina (PR). Antropólogo pela Universidade Federal de Pernambuco e professor de Antropologia e Sociologia no Seminário Presbiteriano do Norte, Recife (PE).

“Esta é mais uma valiosa obra que propicia o debate teológico sobre um tema bastante curioso e polêmico. Certamente enriquecerá a leitura de todos aqueles que queiram entender melhor o tema e sua diversidade de interpretações à luz das Sagradas Escrituras.” **Cláudio José Araújo da Silva, mestre em Teologia Bíblica pelo Seminário Batista Equatorial em Belém (PA). Coordenador da Pós-Graduação da Faculdade de Teologia Hokemah, São Luís (MA).

“Muitos já se sentiram intrigados ao lerem as Sagradas Escrituras e depararem com as ordens de Deus para total destruição de povos, incluindo homens, mulheres e crianças. Esta obra apresenta alguns pontos de vista sobre esses textos, respondendo ao anseio de uma posição cristã a respeito de assuntos atuais como guerra santa, terrorismo e o atentado de 11 de setembro. Um material muito rico para pesquisa e Educação Teológica.” **Marco Antonio Almeida, pastor titular da Igreja do Nazareno Ebenézer, Campinas (SP). Formado em Psicanálise pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Mestrando em Ciências da Religião, com ênfase na Missão da Igreja, pela Faculdade Teológica Nazarena.

“Esta obra leva-nos a refletir sobre o Deus do Antigo Testamento e a compará-lo com o Deus do Novo Testamento. Os autores nos fazem entender que o genocídio cananeu é a imagem mais concreta da guerra santa que atingirá seu ápice no juízo final, quando a vitória de Jesus, conquistada no Calvário e ratificada com a ressurreição, será efetivada de uma vez por todas.” **Cleodon Amaral de Lima, mestre em Teologia Dogmática, com Concentração em Estudos Bíblicos, pela Pontifícia Universidade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP). Professor de Teologia Bíblica pela Tv Século 21, Valinhos (SP).

*GRENZ, Stanley.et al. Deus Mandou Matar?: 4 pontos de vista sobre o genocídio cananeu. Tradução de Jamil Abdalla Filho. São Paulo: Vida, 2006. 215 p. Título original: Show them no mercy: four views on God and Canaanite genocide. 

** DEUS MANDOU MATAR?. Vida Acadêmica, São Paulo. Seção Eu Recomendo. Disponível em: <http://www.vidaacademica.net/V1/content.asp?id_conteudo=312>. Acesso em: 01 out. 2007.


1 Response to “Deus Mandou Matar?”


  1. 1 Ronaldo
    21 março, 2009 às 7:35 pm

    Deus em sua sabedoria determina que o homem não matase, porem Deus é dono de tudo, e nós so pecamos quando desobedecemos a ele, portanto quando os judeus matava em querras era para aplica a justiça de Deus, o mesmo Deus determinou que era dente por dente e olho por olho.
    Durante o velho testamento, as nações viviam de querras, porem matar era uma questão de sobrevivencia para um povo que o seu Deus é o Senhor dos execito


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