05
set
08

O Caminho Mais Curto

Em quase todas as situações, nós, seres humanos, temos a tendência de querer encurtar os caminhos pelos que passamos – obviamente, queremos chegar mais rápido. Mas nem sempre é a melhor opção.

 

Às vezes eu me perguntava: “Porque as coisas sempre demoram mais comigo?” Sempre questionei o Senhor a respeito dessas coisas. Em todas elas eu vi que realmente era melhor esperar ou passar pelo caminho mais longo. Temos um exemplo disso no povo de Israel, quando saíram do Egito.

 

O Senhor sabia que o povo estava, de certa forma, acomodado com a escravidão. E ainda não era a hora de enfrentar os Filisteus. Nós não podemos encarar os inimigos que estão na frente sem primeiro nos livrarmos dos que estão atrás. Não podemos encarar uma batalha deixando outra pendente, porque nunca estaríamos concentrados da maneira que deveria ser.

 

Quando se trata de ministério, muitas vezes acontece o mesmo. Queremos ministérios bem-sucedidos, rapidamente e sem ter de pagar o preço. Quando eu me converti ao Senhor Jesus, já era músico profissional. Quando os meus lideres (na época da minha conversão) descobriram meus dons e talentos, rapidamente me chamaram para ministrar. E como eu tinha muita experiência com o público, não tive dificuldades em cantar e tocar novas canções.

 

Eu creio hoje que aquilo foi um erro. Eu não estava pronto para encarar essa “guerra”. Os inimigos que estavam atrás de mim não tinham sido vencidos ainda, e eu carregava um fardo de feridas não saradas que toda hora vinham à tona. Um erro muito grave que acontece nas igrejas é que as pessoas são vistas e reconhecidas por causa dos dons. Como já disse em outras ocasiões, Deus não se impressiona nem um pouco com nossos dons e talentos; Ele traça o caminho e nós obedecemos – ou não. Deu quer que sejamos ministros curados.

 

Não podemos basear nossa vida ministerial apenas nos dons e talentos; tem que haver conteúdo vivo, uma alma sarada e uma mente concentrada naquilo que estamos fazendo. Eu fico imaginando o povo de Israel, se tivesse ido pelo caminho mais curto. Provavelmente teriam desistido e voltado atrás logo na primeira batalha. Os filisteus eram assassinos ferozes e sanguinários, e o povo de Israel estava totalmente “enferrujado” por causa da escravidão. Quando tomamos decisões contrarias à vontade de Deus, ficamos sem a orientação da coluna de nuvem, durante o dia, e da coluna de fogo, durante a noite. Ficamos desorientados, e começamos a errar consecutivamente.

 

Quando vinham as lutas, eu pensava: “Ah, que saudades do mundo e de tocar nas noites de Buenos Aires! Não tinha tanta luta!” Mas na guerra não há tréguas. Como poderia eu enfrentar os novos inimigos sem vencer os antigos? O Egito estava nas costas de Israel. E Israel precisava se livrar dele. O problema é que para ver o nosso inimigo derrotado precisamos encarar o mar – o que não deixa de ser um confronto. O mar, em minha vida, era largar tudo e obedecer a Deus, ou seja, começar do zero. Na verdade dá medo, porque apesar das lutas e tribulações, não queremos perder o “lugar” conquistado.

 

Depois de quase três anos de ministério eu percebi que estava andando no caminho errado. Eu queria encurtar a coisa, mas Deus tinha outros planos. Depois de um episódio em um evangelismo, eu tive a clara direção de Deus de entregar o ministério em Suas mãos e deixar que ele me livrasse dos inimigos que estavam atrás de mim. O mar me foi apresentado e eu poderia novamente escolher.

 

É uma questão de confiança no Senhor. O problema do escravo é que ele acaba confiando na escravidão. O fato de ser livre lhe causa medo, porque não saberia como agir diante de escolhas. Sendo escravos, não temos muitas opções. Mas quando se apresentam as opções, somos incapazes de tomar decisões. De certa forma, a escravidão acaba gerando um falso conforto que é difícil de abandonar. Quando há pendências do passado sem resolver, vamos acrescentando peso ao nosso fardo à medida que avançamos. E o inimigo em nossas costas vai chegando mais e mais perto de nos destruir. Esse inimigo precisa ser vencido antes de encarar outros.

 

No meu caso, eu resolvi entregar tudo nas mãos de Deus e deixar ele me conduzisse pelo mar. O mar é o preço que pagamos. Às vezes ficamos com medo, às vezes sozinhos e às vezes olhamos para atrás; mas quem abre as águas é o Senhor. Ele sopra o vento na hora certa para o mar se abrir. É sempre uma escolha diante de nós. Eu poderia perfeitamente continuar forçando a barra com meu dom e talento, mas estaria sempre com a sombra do “inimigo de trás”.

 

Depois que Israel atravessou o mar, ficou livre desse inimigo. Logo viria o deserto e apareceriam outros inimigos pela frente. Novamente Deus os conduziu pelo caminho mais longo, porque Ele precisava tratar com o caráter dos seus filhos. Mas esse é outro assunto.

 

Paz para o seu coração,

 

Jorge Russo (Jorjão)

Ministério Trio

ministeriotrio@bol.com.br

 

Visite: www.ministériotrio.com.br


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