Archive for the 'Apologética' Category

26
set
08

Espiritualidade em Jó

“Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade.” Ec 7:15

O sofrimento do justo é algo inquietante ao ser humano, independente de crenças e religiões. Fazer o bem e receber algo contrário a isso, é incompreensível ao entendimento  (limitado) do homem, como percebemos no livro de Jó, através de seus questionamentos a cerca das situações adversas que ele atravessava e também pelos diálogos com seus amigos no decorrer da história.

Jó manteve-se íntegro durante toda sua vida e Deus honrou sua persistência em confiar nele. Mesmo sofrendo ataques devastadoras em sua vida pessoal, profissional e familiar, Jó soube lidar com sofrimentos aos quais muitos de nós nem ousamos imaginar.

Através do sofrimento, podemos nos achegar mais a Deus, nos conscientizando de sua Soberania e Magnitude, mas não devemos fazer disso uma “receita” que nos prende ao sofrimento como única maneira de nos aproximar de Deus. Se com Jó o sofrimento foi uma forma de prová-lo, inúmeros outros valentes bíblicos foram provados por ter em abundância e em situações extremas de sucesso e conforto, como Davi e Saul que em momentos distintos, possuíam toda honra possível.

Por não pertence ao sistema dominado e dirigido por Satanás, que vive debaixo da regra do pecado, o justo pode sofrer. O evangelho é uma contra cultura à cultura do mundo, e como não pertencemos a este sistema nós o incomodamos. O justo padece sofrimentos porque a sua maneira de viver contraria o mundo. Por isso o mundo nos quer colocar em servidão e nos aborrecer.

Apesar de tudo, acredito que algumas perguntas permaneceram sem resposta e nos impulsionaram para um novo nível de fé, onde só podemos crer. Que nós, cristãos, aprendamos com o sofrimento a deslocar o olhar das adversidades, a obter uma visão transcendental, a colocar a Palavra de Deus como prioridade em nossa vida e a buscar forças no Senhor para superar os obstáculos de nosso dia-a-dia.

“Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” Tg 5:11

Abraços

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09
maio
08

O Homem do Céu

“Ler este livro é como ler uma versão atual de Atos dos Apóstolos. O testemunho do Irmão Yun nos emociona e nos deixa maravilhados diante do poder extraordinário de Deus. Seu relato traz a tona o grande drama da perseguição aos irmãos chineses, que até hoje são presos, torturados e levados perante às autoridades por causa e sua fé. Esta leitura nos desafia a orar pelos cristãos da China e a dedicar nossa vida mais intensamente ao serviço do Mestre, aproveitando a preciosa liberdade que possuímos.” *

Sabe algumas situações que passamos que temos muuuuuuuita vergonha. Certamente você já passou por algo parecido! Pois é, ao ler este livro, eu tive esta sensação, e acredito que todos sentirão a mesma coisa.

È impressionante como não temos a coragem de falar de Jesus para as pessoas que nos convivemos, e através deste livro, lemos os relato de um jovem que passou pelas maiores barbaridades na China, simplesmente por falar e viver, sua fé. O pior é saber que isso ainda acontece!

O livro trás relatos impressionantes da vida do irmão Yun que ainda criança se converte para que se concretize a cura de seu pai que está prestes a morrer. Em seguida, deseja ter uma bíblia, o que é expressamente proibido em seu país, mas tem sua oração respondida, A partir de então, se torna um pregador da palavra de Deus, principalmente nos presididos onde era covardemente espancado por diversas vezes. Tanto que em uma determinada época, nem mesmo sua mãe o reconheceu, tamanha foi sua transformação física.

Neste livro podemos ler também sobre seu espetacular jejum que 74 dias sem nem mesmo beber água. Acima de tudo, podemos ler o relato de uma homem que procurou um relacionamento íntimo com o Senhor, e passou por experiências que provou do cuidado, carinho e amor de Deus para com ele, mesmo em meio as lutas e circunstâncias desafiadoras.

Neste ano, as olimpíadas serão na China, o que pode significar uma excelente oportunidade de levar o evangelho a esta nação, apesar de que outro dia, li uma reportagem que dizia que até mesmo os atletas estavam proibidos de levar bíblias ao país. Mas mesmo assim creio que eles evitaram o desconforto de transtorno com visitantes ao país, uma vez que se trata de um evento internacional, e que certamente será um espelho para investimentos econômicos no país.

Leitura obrigatória para todos os cristãos!

Senhor, ajuda-nos a nos importar com o nosso semelhante! Ajuda-nos a levar seu evangelho aos confins da terra! Proteja cada cristão do oriente, e que seu evangelho de propague sem barreiras! Em nome de Jesus! Amém.

Abraços!

Visite: www.backtojerusalem.com (site em inglês)

* YUN, Irmão; HTTAWAY, Paul. O Homem do Céu. Tradução de Cláudia Moraes Ziller de Faria. Belo Horizonte: Betânia, 2005. 336 p. Título Original: The Heavenly Man

23
mar
08

Jesus: Nossa Verdadeira Páscoa

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logo.PNGApós um longo período vivendo como escravos no Egito, Deus intervêm na história dos israelitas e decide tira-los daquela terra por intermédio de Moisés. Inicialmente, Moisés deveria ser o mediador das providências necessárias para a liberação do povo pelo Faraó. Em muitas das tentativas de Moisés de convencer Faraó, este teve o coração endurecido pelo Senhor o que proporcionou o sofrimento de 10 pragas para o povo egípcio (Êx 7 a 12).

A décima praga determinada pelo Senhor, implicaria na morte de todos os primogênitos, desde os animais, até o filho do próprio Faraó. O que poupou os primogênitos dos israelitas, foi um ato de obediência a um mandamento do Senhor: “E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito dizendo: […] Falai a toda congregação de Israel dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. […] E tomarão do sangue, e pó-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.” (Êx. 12:1,3,7 e 8). Não adiantaria ser uma pessoa boa, cumprir ritos religiosos, mas sim cumprir a tarefa de passar o sangue nos umbrais das portas, fazendo assim, o Senhor passaria por cima das casas marcadas sem ferir os primogênitos deste lar (Êx 12:13).

Naquela mesma noite, os israelitas saíram do Egito e a partir desse dia, na mesma data, todos os anos eles comemoravam a festa da páscoa. A festa consistia em matar um cordeiro e comer a sua carne, conforme estipulou o Senhor (Êx 12:11 e 14). Todos os cordeiros mortos representavam o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29) e que seria morto em uma páscoa.

Esta festa deveria ser comemorada e principalmente transferida para as gerações futuras (Êx 12:24), contudo, essas comemorações seriam apenas símbolo da verdadeira páscoa que estaria por vir. Paulo escreveu aos Coríntios: “Cristo é a nossa páscoa” (I Cor 5.7). Sua morte significou o nosso livramento, a nossa salvação. Ninguém poderá se salvar baseado em sua própria justiça ou bondade, mas é o sangue de Jesus, o cordeiro de Deus, que nos salva. Ele morreu para que não morramos espiritualmente, mas tenhamos a vida eterna.

Jesus antes de ser crucificado,  conversando com seus discípulos disse: “Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado” (Mt 26:2), um pouco mais a frente, lemos que os discípulos prepararam a festa da páscoa conforme as ordens de Jesus e celebraram a última páscoa com Ele “E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa” (Mt 26:19). Existia um desejo em Jesus em cumprir a vontade de Deus para Ele, assim o seu desejo era cumprir a páscoa, se entregando como o cordeiro sem mácula por todos nós (“E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça” Lc 22:15)

Assim, hoje, não temos apenas uma festa em um determinado dia. Não precisamos matar um cordeiro e muito menos passar o seu sangue nos umbrais das portas de nossas casas, pois tudo isso já foi realizado espiritualmente através de nossa redenção em Cristo Jesus.

Infelizmente, a páscoa perdeu o seu verdadeiro significado, tornando-se apenas uma data para que o comércio fature com as vendas de chocolate e coelhos, que não tem ligação alguma com o sentido original desta festa. Claro que não é proibido comer chocolate, mas este não é o sentido real que deve nos motivar. Na páscoa, e em todos os outros dias, devemos nos recordar que Cristo nos salvou e purificou se entregando por nós.

Páscoa é uma celebração de fé (Hb 11:28).

 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5:8)

Abraços

29
fev
08

A Queda do Homem

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logo.PNGHá um ditado que diz: “Ninguém pode colher sem semear”, assim é, em todas as esferas de atividades: salários, prêmios, promoções, espiritualmente, seja onde for. Paulo ao escrever aos gálatas, diz: “Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição, mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” (Gálatas 6:8).

Uma ordenação, implica em atividade, qualquer indecisão em obedecer evidencia falta de fé e sabedoria. Devemos estar em prontidão, atentos, vigiando às ordens de Deus, para que assim como os discípulos, cumpramos prontamente o que Deus nos ordena (E os discípulos fizeram como Jesus lhe ordenara – Mateus 26:16).

Pela desobediência, o homem rompeu os laços que o prendiam ao seu criador. Para voltar a Ele, é importante aceitá-lo e servi-lo, “Porque, como pela obediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Romanos 5:19).

Podemos visualizar este acontecimento como a seguinte metáfora: “Você imagina um luxuoso navio transatlântico que se encontra em alto mar e só o seu comandante sabe que está prestes a afundar; ele decide então falar no sistema de comunicação interna que os passageiros da terceira classe podem usufruir de todos os benefícios concedidos à primeira classe. Todos achariam que esse comandante é espetacular, demais, ou muito legal, um cara que está preocupado com a igualdade de todos. Infelizmente, não sabem que toda aquela liberdade oferecida é uma ilusão ante às cenas vindouras de pavor e morte.”

O mundo é dirigido por um regente que o conduz de um modo ilusório, oferecendo uma liberdade que leva os seus súditos à morte, e morte eterna. Todas as coisas são permitidas: prazer, euforia,  e tudo que satisfaça e dê a sensação de liberdade total. Não existe espaço para limites ou para a disciplina, que são vistos como falta de liberdade ou, até mesmo, como repressão. Mas este mundo vai de mal a pior e, a cada dia aumenta mais a violência e a degradação moral, intelectual e social provocada pelo exercício de liberdades tirânicas que escravizam a consciência dos mais legítimos ideais de liberdade, instituindo no lugar destes o caos, a desordem e a morte.

A liberdade que Jesus oferece é limitada pelo amor, fazendo com que haja a percepção de que o limite do  direito de um está relacionado ao começa do direito de outro. A disciplina apresenta-se como mantenedora da liberdade, visando a educação na justiça e a harmonia das liberdades individuais. A aplicação dessa liberdade não é descartável, uma vez que seu gozo é eterno e infinito, ultrapassando os limites da existência física e adentrando as moradas do Reino Eterno.

As leis, não são para punir, mas para prevenir. Para que andemos bem e sejamos felizes, foi por falta deste entendimento, que Eva foi enganada e induzida ao pecado:

Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.” (Gênesis 2:16 e 17; e 3:1-6).

O inimigo incorporado na cobra, persuadiu Eva, convencendo-a que a rebelião, caracterizada pelo ato de comer do fruto da árvore da vida, seria um meio inteligível e inofensivo de preservar os interesses dela, assim, ele cumpriu mais uma vez seu propósito (O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância  -João 10:10) afastando o homem de Deus.

Conforme percebemos no versículo 3 do capítulo 3 de Gênesis, Eva faz um acréscimo às palavras de Deus (nem toque nele…), influenciada pela serpente, levando a uma distorção da ordem dada pelo Senhor.

Como mencionado por Watchman Nee no livro “Autoridade Espiritual” *, percebemos a queda do homem, ocorrida com este acontecimento, como resultado de desobediência. Além de desobedecer à Deus, Eva também desobedeceu a Adão tomando uma decisão e não se sujeitando ao seu marido (Vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém no Senhor.Colossenses 3:18) autoridade delegada por Deus a ela.

Antes de Adão e Eva comerem o fruto proibido, o que era certo e errado para eles estava na mão de Deus” (NEE 2005*), assim não era necessário preocupar entre o que é certo e errado, mas apenas, se preocupar em obedecer, então o bem concedido por Deus, seria uma conseqüência natural.

Ao instituir o “não poder” comer do fruto da arvora da vida, Deus nos concedeu a opção de não segui-lo, pára que se cumpra a promessa do livre-arbítrio.

Devemos obedecer a Cristo, sempre, em tudo o que Ele nos ordena, para que assim, se cumpra  que há de melhor para nós.

Abraços

* NEE, Watchaman.  Autoridade Espiritual. 2ª ed. São Paulo: Vida, 2005. 191 p.

01
nov
07

Por Que Sou Cristão

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logo.PNG“Muitos anos atrás, um garoto solitário foi a uma pequena e escura capela em busca de Deus. Mais tarde, entregou a sua vida a Cristo. Essa acabou sendo a decisão mais importante de toda a sua vida. Se não fosse por Cristo — ele reflete — sua vida seria mais uma na lata de lixo das vidas perdidas e descartadas. Em vez disso, sua vida tem sido usada para conduzir muitos outros à nova vida e a um entendimento mais profundo daquele que deu a sua vida para que nós vivêssemos. Agora ele conta a sua história espiritual e dá as razões da sua mudança de vida, do seu primeiro passo de fé no caminho que tem seguido desde então. Para John Stott, não foi ele que encontrou Cristo, mas Cristo o encontrou. Ele tornou-se cristão não porque a fé cristã é atrativa, mas porque é verdadeira; não porque merecesse ser salvo, mas porque Cristo tomou os seus pecados — e os de cada um de nós — sobre si mesmo. “Por Que Sou Cristão” mostra que a resposta para o paradoxo existente no coração humano e a chave para a verdadeira liberdade e plenitude só podem ser encontradas em Cristo. E ele faz o maior de todos os convites a cada um de nós e espera pacientemente a nossa resposta.”

Imagine-se em um ambiente acadêmico, onde o ceticismo possui cadeira cativa e temos que explicar o inexplicável, ou provar a lógica do que não é lógico.

Acredito que é mais ou menos esta situação que nós universitário passamos diversas vezes, durante o período acadêmico. Como explicar para os doutores letrados e completamente céticos que Cristo é o próprio Deus, que Ele é verdadeiro, que o cristianismo é o caminho certo, sendo que muitas vezes, não encontramos lógica nos feitos de Deus ou não conseguimos expressar o que sentimos diante da presença dEle?

Jonh Stott, de maneira sublime, conseguiu simplificar e clarear o cristianismo de tal forma que é possível apresentar este livro ao mais ateu dos seres humanos, como também, ao mais cristão, que eles serão tremendamente tocados pelas verdades que estão contidas neste livro.  Suas explicações deixam claro a verdade do cristianismo e a pessoa de Jesus, bem como a necessidade de se achegar a Ele.

Lendo este livro, encontrei muitas respostas que em alguns momentos da vida não tive para explicar a minha fé. Respostas que estão descritas na própria Bíblia, mas que por displicência, ou falta de entendimento e/ou conhecimento não encontramos no memento certo.

“…e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” 1 Pe 3:15

02
out
07

Deus Mandou Matar?

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logo.PNGHá continuidade ou não entre o conceito de guerra santa do Antigo Testamento e os princípios éticos do Novo Testamento? 

Servimos ao Senhor dos Exércitos ou ao Príncipe da Paz ? Ou Deus é ambos? 

De que maneira nossas ações deveriam refletir o caráter divino nestes tempos perigosos?

O atentado em 11 de setembro de 2001 chamou a atenção para a dura realidade da jihad. Entretanto, a guerra santa não é nova, nem é invenção do islamismo. O Antigo Testamento registra o genocídio cananeu em nome de Yahweh. Como harmonizar isto com os ensinos de Jesus que nos ordenam amar nossos inimigos e vencer o mal com o bem? Se nossa teologia gera seu fruto em nosso procedimento como cristãos, não podemos ignorar a questão da violência na Bíblia.

Escritos por quatro eruditos, os pontos de vista apresentados nesta obra provocante permitem que o leitor compare as perspectivas distintas acerca da guerra santa, do juízo divino e do uso da força bruta, a fim de chegar às suas próprias conclusões em relação ao que a Bíblia ensina. O desafio está feito!” * 

O livro “Deus Mandou Matar?: 4 Pontos de Vista Sobre o Genocídio Cananeu” contempla o dilema que muitos cristãos vivem, inclusive nos dias de hoje: – Como relacionar o Deus apresentado no Antigo Testamento (AT), com o Deus revelado no Novo Testamento (NT)?

Esta certamente é uma pergunta desconcertante que qualquer cristão pode enfrentar, e que devido os acontecimentos dos últimos tempos, se torna cada vez mais freqüente.

Admito que eu mesmo já passei por uma situação embaraçosa, quando um colega do serviço, em meio a um assunto sobre  terrorismo, questionou a diferença entre os atos terroristas e a máxima do novo testamento: “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé”Ex 21:24. Na ocasião, só me restou admitir que não tinha argumentos para esta observação, uma vez que nunca havia questionado, ou mesmo pensado sobre isso. Desde então passei a estudar o assunto, até que cheguei a este livro.

O sexto mandamento ordena: “Não matarás” Ex 20:13. Esta ordem foi revelada a Moisés pelo próprio Deus, desta forma, podemos interpretar esta ordem, como sendo Sua vontade para Seu povo. Mas ao prosseguirmos um pouco mais na história, lemos:“E o SENHOR teu Deus a dará na tua mão; e todo o homem que houver nela passarás ao fio da espada. Porém, as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR teu Deus. Assim farás a todas as cidades que estiverem mui longe de ti, que não forem das cidades destas nações. Porém, das cidades destas nações, que o SENHOR teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida. Antes destruí-las-ás totalmente: aos heteus, e aos amorreus, e aos cananeus, e aos perizeus, e aos heveus, e aos jebuseus, como te ordenou o SENHOR teu Deus.”Dt 20:13-17. A primeira vista, parece ser esta uma contradição ao mandamento entregue a Moisés, mas não devemos deixar de considerar que o amor de Deus para com o seu povo não se sobrepõe ao seu atributo de justiça (Sl 11:7). Cabe aqui, a pergunta feita por Bildade, um dos amigos de Jó: “Porventura perverteria Deus o direito? E perverteria o Todo-Poderoso a justiça?” Jó 8:3. Podemos considerar ainda a própria natureza do pecado, que é a morte (Rm 6:23).

Contudo, no versículo 11 do capítulo 33 do livro de Ezequiel, lemos a seguinte passagem: “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos…”.Nela, vemos claramente que o Senhor não deseja a morte, nem mesmo dos ímpios, apesar de sentir profundo desgosto pelo pecado.

Lembrar do livro de Apocalipse, que pertence ao NT e foi escrito pelo apóstolo que soube interpretar da maneira mais amorosa a passagem de Jesus sobre a terra, na minha opinião, é o principal elo de ligação entre o AT e o NT. Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8).

A leitura é de fato muito atraente, não só por apresentar o assunto por 4 pontos de vista distintos, mas por permitir a discussão entre todos os autores, que após cada capítulo, escreve sua “réplica” ao capítulo apresentado.

É uma leitura muito interessante!

Leia abaixo, os trechos de maior destaque de cada autor e seu ponto de vista:

  • Descontinuidade  Radical

“Se o nosso Deus é semelhante a Cristo, podemos afirmar categoricamente que Deus não é destruidor. A morte não é parte da criação original de Deus, pois não mais haverá ‘morte nem tristeza, nem choro nem dor’ na nova criação (Ap 21:4). Deus não se envolve em violência, seja punitiva, seja redentora, seja sagrada. Violência e morte são conseqüências intrínsecas à violação da ordem criada por Deus. São obras de Satanás, pois este foi ‘homicida desde o princípio’ (Jo 8:44). Deus não utiliza a morte de maneira proativa, como instrumento de juízo, uma vez que a morte é um inimigo, o ‘último inimigo a ser destruído’ por Cristo (1 Co 15:20-28). Deus não faz acordo com o inimigo.” * p. 35

C. S. Cowles, professor de Bíblia e Teologia no Point Loma Nazarene University.

  • Descontinuidade Moderada

“Um fator de fundamental importância a ser considerado na análise sobre o problema da guerra de Javé, e sua seqüência natural no uso do herem ou genocídio, é a natureza de Deus, pois ele, segundo o texto sagrado, que o concebeu, incentivou, implementou e dela se beneficiou. Contudo, é impossível obter uma compreensão total dessa natureza, de modo que devemos nos concentrar com a síntese teológica de que Deus é Santo, correto inculpável e justo, mas também benigno misericordioso e pronto a perdoar. Esses traços exclusivos e evidentes do caráter de Deus coexistem mutuamente no registro bíblico sem uma solução humanamente inteligível. Portanto, o dilema moral e ético da guerra de Javé também deve permanecer sem uma explicação racionalmente satisfatória. O máximo que se pode dizer, correndo-se o risco de cair num jargão, é que, se Deus é tudo o que a Bíblia diz ser, então tudo o que ele faz deve ser bom – e inclui autorizar o genocídio.Contudo, deve-se prontamente reiterar que o genocídio sancionado pelas Escrituras Sagradas foi único quanto ao seu momento, lugar e circunstâncias.” * p. 104

Eugene H. Merrill, professor de Antigo Testamento no Dallas Theological Seminary.

  • Continuidade Escatológica

“A ordem divina de exterminar um inimigo reflete sua santidade e justiça, mas estas não podem ser entendidas sem a misericórdia, a graça e longanimidade do mesmo Deus. É de fundamental importância no ensino do NT esse confronto da santidade e da justiça com a misericórdia e a graça, expresso no sofrimento santo e inocente de Jesus em sua morte. Ao morrer, Ele suportou toda a ira da justiça de Deus no lugar da raça humana. Aqui está o Cordeiro, o sacrifício por todos que estão em inimizade contra Deus. O mundo permanece condenado sob a perfeita santidade e justiça de Deus. Foi para essa massa humana condenada que Deus enviou seu Filho para trazer resgate, vida e salvação a todos os que crêem. Desta forma, a justiça de Deus é transformada por meio de sua misericórdia.No Jesus escatológico, encontra-se a unidade entre o tempo e a eternidade e também a unidade entre os Testamentos.” * p. 149-150

Daniel L. Gard, professor de Teologia Exegética no Concordia Theological Seminary.

  • Continuidade Espiritual

“Muitos cristãos tem renegado o AT, afim de evitar o envolvimento com os atos sangrentos de Deus, encontrados naquelas páginas. Eles percebem uma grande diferença entre o Deus de Josué e Jesus Cristo, que ensinou a amar os inimigos e oferecer a outra face. Entretanto desprezar o AT é mera conveniência, e os que fazem isso ignoram o fato  de que o NT  se alicerça na revelação do AT, confirmando suas mensagens, explícita e implicitamente. Além do mais, como contataremos a seguir, o NT, em última análise é igualmente sangrento. Não é admissível que simplesmente separemos o AT do cânon das Escrituras e moldemos  o Deus que adoramos de acordo com o que pensamos ser aceitável” * p. 169

Tremper Longman III, professor de Antigo Testamento no Westmont College.

Veja algumas opiniões publicadas no site da editora: 

“A prática do que denominamos ‘limpeza étnica’ está presente na origem das etnias como grupos socializados, e a religião tem sido sua maior motivação há milênios. A abordagem específica dos autores sobre o tema possibilita ao leitor o conhecimento bíblico e acesso aos segmentos da Antropologia e da Sociologia. É importante destacar nesta obra que a chamada ‘guerra santa’ não terminou com o Antigo Testamento e que os atos em nome de Deus ainda permeiam o imaginário religioso de vários povos.” **Reginaldo Borges, doutor em Missões Urbanas pela Faculdade Teológica Sul-Americana de Londrina (PR). Antropólogo pela Universidade Federal de Pernambuco e professor de Antropologia e Sociologia no Seminário Presbiteriano do Norte, Recife (PE).

“Esta é mais uma valiosa obra que propicia o debate teológico sobre um tema bastante curioso e polêmico. Certamente enriquecerá a leitura de todos aqueles que queiram entender melhor o tema e sua diversidade de interpretações à luz das Sagradas Escrituras.” **Cláudio José Araújo da Silva, mestre em Teologia Bíblica pelo Seminário Batista Equatorial em Belém (PA). Coordenador da Pós-Graduação da Faculdade de Teologia Hokemah, São Luís (MA).

“Muitos já se sentiram intrigados ao lerem as Sagradas Escrituras e depararem com as ordens de Deus para total destruição de povos, incluindo homens, mulheres e crianças. Esta obra apresenta alguns pontos de vista sobre esses textos, respondendo ao anseio de uma posição cristã a respeito de assuntos atuais como guerra santa, terrorismo e o atentado de 11 de setembro. Um material muito rico para pesquisa e Educação Teológica.” **Marco Antonio Almeida, pastor titular da Igreja do Nazareno Ebenézer, Campinas (SP). Formado em Psicanálise pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Mestrando em Ciências da Religião, com ênfase na Missão da Igreja, pela Faculdade Teológica Nazarena.

“Esta obra leva-nos a refletir sobre o Deus do Antigo Testamento e a compará-lo com o Deus do Novo Testamento. Os autores nos fazem entender que o genocídio cananeu é a imagem mais concreta da guerra santa que atingirá seu ápice no juízo final, quando a vitória de Jesus, conquistada no Calvário e ratificada com a ressurreição, será efetivada de uma vez por todas.” **Cleodon Amaral de Lima, mestre em Teologia Dogmática, com Concentração em Estudos Bíblicos, pela Pontifícia Universidade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP). Professor de Teologia Bíblica pela Tv Século 21, Valinhos (SP).

*GRENZ, Stanley.et al. Deus Mandou Matar?: 4 pontos de vista sobre o genocídio cananeu. Tradução de Jamil Abdalla Filho. São Paulo: Vida, 2006. 215 p. Título original: Show them no mercy: four views on God and Canaanite genocide. 

** DEUS MANDOU MATAR?. Vida Acadêmica, São Paulo. Seção Eu Recomendo. Disponível em: <http://www.vidaacademica.net/V1/content.asp?id_conteudo=312>. Acesso em: 01 out. 2007.




"Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados..." Hebreus 10:32
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