Archive for the 'Estudos Bíblicos' Category

07
dez
09

Desafios das juventudes

Pensar em desafios comuns para a juventude do Brasil é algo praticamente impossível devido à variedade de tribos e perfis, que carregam consigo objetivos distintos, gerados por suas próprias culturas e tradições. Tenho buscado do Espírito alguns “insights” sobre os sonhos dele para a juventude. Talvez eu cite algo que tenha a ver com sua vida dentro do seu contexto.

Há pouco tempo um amigo me telefonou: “Cara, hoje eu acordei atrasado para o trabalho, nem tive tempo de comer. Tenho prova a noite na “facul” e vou direto, não vai dar tempo de passar em casa”. É possível ter tempo para Deus e para nutrir uma espiritualidade sadia neste contexto urbano? Se disser para alguns daqueles com quem ando para olharem os lírios do campo, com certeza me dirão: “Que horas eu paro pra ver?”.

Um dos desafios dos jovens é viver nas cidades fazendo com que seu coração ainda permaneça no jardim. Nutrir uma espiritualidade sadia não está relacionado ao peso de uma tradição que te obrigue a ler um capítulo da Bíblia todos os dias e sim ao pertencimento e à pré-disposição em manter um relacionamento com Deus. Quando existe tal consciência, isso pode ser suprido no ônibus a caminho do “trampo”, em casa em frente ao “micro” ou em qualquer outro lugar. Não significa ir ao culto aos domingos, mas resgatar o conceito bíblico de que o culto é em todo tempo e em todo lugar.

A tendência, ao nutrirmos uma espiritualidade sadia em meio a um mundo em que tudo é “fast”, é queremos que tudo na vida se desenrole assim. Afinal, a “food” é “fast” e já não é de hoje que o miojo fica pronto em três minutos, a internet é rápida e a banda é larga. Os relacionamentos se tornaram superficiais. Se alguém vê, já não espera. Já dizia um pastor amigo: “Nada sagrado pode ser ‘fast’”.

Outro “insight” é viver o evangelho encarnacional em meio a uma sociedade competitiva e individualista. Dizer não a nós mesmos para nos tornarmos como Jesus, sendo capazes de aceitar as diferenças do outro e de nos submetermos ao próximo em amor. Abrir mão de si em favor do outro é um desafio que contraria os valores da sociedade pós-moderna.

O maior desafio é entregar completamente a vida em favor do reino de Deus e da missão. Re-significar o antigo conceito de carregar a cruz e lembrar que isso não está relacionado ao fardo de um namorado ou de uma família que chamamos de cruz. É saber que “a missão não faz parte da nossa vida; a missão é a nossa vida”, o que se desdobra em uma entrega total do que temos e do que somos. Eu não tenho uma missão — a missão é que me tem.

Salvação não é simplesmente um lugar para onde vamos quando morrermos. Ela é a total reorientação da vida de um indivíduo e de uma comunidade. Jesus diz: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.10). Salvação é conhecer a Deus e a partir disso re-significar nossa vida. A salvação em Cristo nos lança ao Pai e nos torna gente como o Filho, capazes de amar e de nos doar ao outro. Ela é capaz de nos salvar de nós mesmos, de nossa ignorância e de nosso egoísmo. Nosso maior desafio ainda é abrirmos mão de nós mesmos por amor a Jesus e a seu evangelho, e a partir disso vivermos uma vida com um significado maior do que o simples acúmulo de bens. Isso é vida eterna hoje.

Rogério Quadra, 27 anos, trabalha com juventude estudantil pela Mocidade Para Cristo e com menores infratores na Fundação Casa (antiga FEBEM).

QUADRA, Rogério. Desafios da Juventude. Disponível em <http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2412&secMestre=2447&sec=2456&num_edicao=319&palavra=juventude#>. Acesso em 07/12/2009.

30
nov
09

Faculdade tira jovens da Igreja

Maioria dos universitários cristãos desviam

Pesquisa realiazada em 2006 por Steve Herderson, presidente do Instituto Christian Consulting for Colleges and Ministries demonstrou que cerca de 58% dos jovens cristãos nos Estados Unidos se afastaram da Igreja ao ingresar à universidade. A pesquisa foi também aplicada dentro das universidades brasileiras e o resultado foi o mesmo.

Para muitos jovens o primeiro contato com a universidade é conflituoso. Novos contatos, relacionamentos e muitas vezes conflito de idéias. O repórter e humorista Danilo Gentili, do programa CQC, da Rede Bandeirantes de Televisão, de forma sarcástica, sintetizou neste final de semana em entrevista à Contigo, o que acontece nestes ambientes. “Faculdade serve para ir ao bar e fumar maconha, mas nem isso eu fiz” afirmou Gentili, que segundo declarações anteriores, foi criado na Igreja Batista e tinha o sonho de se tornar pastor. O publicitário desistiu do desejo após ser expulso por mau comportamento.

A pesquisa com o título ‘Uma questão de valor versus custo’, mostrou que 58¨% dos jovens cristãos se afastaram da igreja ao ingressar na faculdade, evidenciou o despreparo que muitos deles têm para enfrentar os conflitos da vida acadêmica. “Não podemos pensar em preparar o jovem cristão apenas para resistir à universidade, porque um dia ela terminará, mas prepará-lo para a vida cristã, familiar, profissional e pessoal. Trata-se de um investido não apenas parte da vida do jovem”, declara Helder Cardin, professor no Seminário Palavra da Vida, em Atibaia (SP).

O pesquisador se aprofundou no estudo, lembrou ainda que apesar da distância geográfica o comportamento e questionamento são comuns nos dois países. No caso do Palavra da Vida o curso é ministrado antes do ingresso ao terceiro grau e tem foco no estudo teológico e palavra.

Fonte: Creio – Robson Morai

Disponível em: http://ogalileo.com.br/jovens/verConteudo.php?id=gmUnuYl6gxcluxZvf9jcb15GuHcDT4. Acesso em 30 nov. 2009

19
out
09

Videira Verdadeira

O texto do capítulo 15 do evangelho de João, nos conforta em todos os sentidos. Quando o lemos, a primeira vista, pode parecer uma certa “cobrança” de Jesus para nós, mas na verdade ele nos mostra a direção que devemos tomar para cumprirmos o seus mandamentos.

Nos versículos 1 a 3 Ele nos ensina que é a videira verdadeira e nós os seus ramos, desta forma, Ele nos dá a sua natureza para a reprodução e é isso que nos torna frutífero, ou seja, não somos nós que daremos fruto por nós mesmos, assim como os ramos não frutificam por eles mesmos, mas sim a videira que é frutifica.

Somos reconhecidos pelos frutos que produzimos. Tais frutos já se constituem em uma grande recompensa para nós, pois nos proporcionam imensurável alegria ao coração, conforme descrito em João 4.35-36.
Nossos frutos possuem nossa própria natureza, uma vez que contemos a mesma natureza da videira verdadeira (Jesus), e resultam da obediência à palavra de ordem do Senhor: “fazei discípulos” (Mc 16.15).

Assim, nós ramos devemos sempre permanecer na videira e tudo dará certo.

28
set
09

Diploma

DiplomaNa semana passada fui buscar o meu diploma de graduação, e isto me inspirou a escrever aqui…

Engraçado que já fiz até um curso de pós graduação e ainda não tinha meu diploma em mãos, pois a faculdade que estudei faz o registro dos diplomas junto ao MEC apenas uma vez por ano, por isso, demorei um ano para adquirir o “papel” que estudei  4 anos para possuir…

Quando a secretária pediu para que eu assinasse o diploma, me deu até um calafrio, de pensar que todas as situações eram contrárias para que eu concluísse um curso superior, mas em todas elas, Deus agiu poderosamente e deu vitória. Ali estava eu, definitivamente tomando posse de mais uma promessa de Deus para mim. Tive que me concentrar bastante para não tremer na hora de assinar, pois estava realmente ansioso.

Sai da sala e fui caminhando pela rua, admirando o papel pelo qual lutei durante tanto tempo, então, me recordei da nova Lei que permite a exercer a profissão de jornalista, sem curso superior, lembrei do meu amigo recém formado em jornalismo, que passou por lutas muito maiores que a minha, para se formar, e acabava de ser desprestigiado pelo nosso governo, com essa punhalada pelas costas. Questionei o valor do papel que estava em minhas mãos… Imaginei se ocorresse o mesmo com a profissão de administrador (e já hipóteses sendo levantadas…), pensei no tempo por um instante e percebi que já havia se passado um ano que terminei o curso, já fiz um curso de pós-graduação e conclui que o papel que estava em minhas mãos perderia o valor mais cedo ou mais tarde e ele não me dava garantia alguma.

Fiquei apreensivo, um pouco confuso, e em certo tempo, me recordei de uma passagem, que é mais verdadeira que os meus 4 anos de curso e até mesmo do papel que segurava nas mãos:

“Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo, com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.” Efésios 1:13

Eu tenho um selo que me garante uma herança, independente das situações que possam me cercar aqui na terra. Essa é minha verdadeira garantia. O selo do Espírito em mim é meu verdadeiro diploma. Jesus intercede por mim, e se Ele é por mim, quem será contra mim?

É necessário um exercício constante para retirar os olhos das coisas deste mundo, precisamos estar sempre conectados com a verdade do céu para nós, mantendo nossa mente repleta das coisas que vêm do alto. Essas coisas são mais reais do que as coisas que pegamos, sentimos e possuímos… Deus é maior!

21
set
09

Um Novo Coração

Um novo coração

Vivemos em um mundo completamente voltado para a aparência. Pessoas gastam verdadeiras fortunas em busca de uma beleza idealizada por uma sociedade massacrante, e ressaltada por uma mídia cruel e voraz.

Ser magra significa ter o mesmo peso da Gisele Bündchen, se possui 500 gramas acima disso, já é o suficiente para se pensar em uma operação lipoaspiração. Ser bonito é ser semelhante ao Tom Cruise, ou melhor, ao Zac Efron, pois o Tom já está muito velho… Que mundo cruel!

Em meio a tudo isso surge diversos programas (detalhe, em TV aberta!!) que proporcionam aos seus participantes uma mudança completa, uma repaginada geral! Dentre muitos, podemos citar: “10 anos mais jovem”; “Esquadrão da moda”; “Espelho, espelho meu”, “Dr. Hollywood”, “Verdadeira Idade”,“ Transformação”, “Princesas do Netinho”, etc…

“As 500 gramas que estão te incomodando, desaparecerão”, prometem os apresentadores. “Sua vida nunca mais será a mesma”, anuncia a propaganda. “Você não se reconhecerá” afirma a voz sedutora do locutor… Após a transformação que inclui, cirurgias, dicas de maquiagem, compra de um novo “guarda-roupa”, e tudo mais que possa mascarar a realidade do ser humano que se submete a isso, ouvimos: “É uma nova mulher”, “Nem parece que é a mesma pessoa”, “Ela realmente está mais jovem”, “Como é elegante esse novo homem”! Tantos elogios!

E o telespectador nesta história? A ele, cabe apenas se comparar com o “antes” da transformação, e a partir daí se sentir inferior, desprestigiado, desafortunado! Então iniciam-se as brigas das mulheres com seus maridos, que desejam que eles paguem a mesma cirurgia apresentada no programa de TV. As adolescentes entram em depressão profunda, porque seu nariz não é tão afilado quanto o da protagonista da novela juvenil. O jovem, só se interessa pela mulher da capa da revista.

Infelizmente isto é nato do ser humano, e apesar de estar mais constante na sociedade atual, sempre aconteceu. A Bíblia mesmo, que foi escrita a mais de 2000 anos, tem um exemplo desta situação.

Samuel era um profeta escolhido pelo Senhor como seu representante na terra, e foi designado para escolher um novo rei para Israel após a rejeição de Saul. Sua atitude foi semelhante a dos telespectadores atuais. Ele foi até a casa que o Senhor havia ordenado e começou a olhar a aparência dos filhos de Jessé, mas qual não foi a surpresa de Samuel? O Senhor deu a ele um novo padrão: “Não considere sua aparência nem sua altura…” (I Sm 16:7a) Imagino o que se passou na cabeça de Samuel nesta hora: “Se não é pela beleza nem pela altura, qual será o critério de escolha? Ahhh talvez seja a inteligência… é necessário ser sábio para reinar!” Mas antes mesmo que Samuel questionasse o Senhor mostra seu padrão: “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” (I Sm 16:7b)

Que padrão libertador! Não precisamos estar presos aos padrões deste mundo! Não precisamos ter as mesmas medidas da top  do momento, ou ter a mesma cor de olhos do galã da novela! Mas o que precisamos para seguirmos este novo padrão de Deus!

Um novo coração, esta é a resposta! Na passagem que mencionamos anteriormente, a escolha de Deus para ocupar o lugar de Saul, foi Davi, o mais novo e provavelmente o mais rejeitado da família de Jessé.

Nós podemos ter um novo coração, a partir de um novo nascimento. Precisamos nos livrar do velho homem que carrega o coração endurecido e recheado com os padrões mundanos, e receber o novo coração de Jesus, recheado com obediência, perdão e compaixão.

Este novo coração nos permitirá assistir TV e não nos compararmos com as celebridades. Iremos compreender que cada ruga, cada cicatriz, trás consigo uma parte de nossa vida, e que elas também fazem parte de um propósito soberano de Deus para nós. Este novo coração, nos fará aceitarmos como somos, e olhar para o próximo com os olhos de Jesus, enxergando, criações únicas e feitas a mão pelo Artista maior.

14
dez
08

Qual o fator que mais inibe o crescimento da igreja evangélica no Brasil?

logoEsta pergunta, à primeira vista, parece impertinente. Como falar que a igreja evangélica no Brasil está com algum problema de crescimento? Os números, cada vez mais animadores para os evangélicos e preocupante para os católicos, comprovam o crescimento fantástico dos evangélicos nesta última década. Temos um templo em quase cada esquina das grandes cidades. Os espaços onde funcionavam bares, cinemas, oficinas mecânicas, mercados e outros comércios, tornaram-se lugares de celebrações. Hoje pastoreio uma igreja que tem como sobrenome “Oficina de Vidas”, pois, funciona em um prédio, onde por anos foi uma oficina mecânica para automóveis. No Brasil, o número de evangélicos dobrou em 20 anos. A Revista Veja de 03 de Julho de 2.002 escreveu: “O resultado do censo demográfico no quesito religião, divulgado neste ano, mostra que mais de 15% dos brasileiros – um rebanho de 26 milhões de pessoas – são protestantes. É um percentual cinco vezes maior que em 1940 e o dobro do de 1980. Em Estados como Rio de Janeiro e Goiás, o índice supera 20% dos habitantes. No Espírito Santo e em Rondônia, os evangélicos passam de um quarto da população. Esse ritmo indica que metade dos brasileiros poderiam estar convertidos em cinco décadas – um tempo mínimo quando se fala em avanço religioso.”

Bem, talvez pudéssemos mudar a pergunta para: Qual é o fator que mais inibe o crescimento saudável da igreja evangélica no Brasil?

Sabemos que diante desta pergunta muitas razões poderiam ser elencadas, tais como: falta de ética, ausência de compromisso, superficialidade na fé, pouco ou quase nenhum conhecimento bíblico, igrejas comerciais, etc e etc…

Contudo, gostaria de me deter num fator que está atrás de muitos outros na deterioração da igreja evangélica brasileira, e quem sabe das igrejas no mundo inteiro: a perda de um processo sério, dinâmico e conseqüente de discipulado.

Esta palavra, discipulado, é ouvida de vez em quando em algumas de nossas igrejas. É quando um novo convertido chega e queremos prepará-lo para o batismo, então fazemos com ele o “discipulado”. Ensinamos alguns pressupostos básicos da fé cristã. Ele gosta do que recebe, acredita que irá continuar tendo uma relação de aprofundamento na sua carreira cristã, mas logo percebe que a igreja fez propaganda enganosa; pois é jogado dentro da congregação e nunca mais é estimulado a crescer em seu caráter, relacionamentos, habilidades ministeriais e conhecimento bíblico; ou se é estimulado, não lhe dão o caminho, a condição necessária para este desenvolvimento.

Precisamos voltar ao discipulado. O alicerce e maior investimento que Cristo fez, para o crescimento de Sua igreja, foi criar um movimento de discipulado a partir de seus 12 discípulos. Ele passou valores do Reino não somente em palavras/teoria, mas nas experiências no dia a dia e no próprio ensino prático. Seu relacionamento com os 12 era mais importante que escrever livros, teorias, dar seminários, classes de aula, construir mega-templos, fundar uma denominação e tantas outras coisas que fazemos para mostrar que somos uma igreja que cresce. Jesus fez do discipulado sua marca registrada. A igreja, que deveria ser a fiel depositária de tudo o que ele nos deixou, perdeu esta marca. Precisamos voltar ao início.

O que é discipulado? Keith Phillips em seu livro A Formação de um Discípulo pág.16, escreve: “O discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno, baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo, que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem outros.”

O discipulado é um relacionamento. Deus fez discipulado conosco quando se relacionou. “O Verbo se fez carne e habitou entre nós…” Jo1:14. Sem este relacionamento direto, encarnado, Deus não poderia nos ensinar de si mesmo. Para que temos dedicado nossas vidas? Para quem temos dado a maior parte do nosso tempo? Estamos encarnados (nossa missão) para quê? Se dissermos que somos discípulos de Jesus, nossa missão deverá ser a mesma: fazer discípulos!!!

Como podemos então quebrar este ciclo de descompromisso com o discipulado na igreja brasileira? Começando pela nossa própria vida. Deus pode nos usar para mudar esta história. Pensemos em três chaves para isso:

Primeiramente você deve ter um discipulador. Discípulo consegue discipular bem melhor se estiver sendo discipulado. É um processo, e como todo processo ele precisa de um início, meio e fim. O início é ter alguém investindo em sua vida. Um líder pastoral ou mentor a quem você prestará contas com freqüência. Esta pessoa deverá entender os valores de um processo sério de discipulado. Está difícil encontrar, mas se procurar com diligência, irá encontrar. Esta pessoa deverá caminhar com você, lhe auxiliando em seu crescimento relacional (com Deus, consigo mesmo, com sua família, com seus líderes, com sua igreja, com o mundo ao seu redor); crescimento de caráter (auxiliando a enxergar as áreas do seu coração que precisam de uma renovação – e não são poucas); crescimento em conhecimento bíblico (precisamos de um conhecimento da Palavra de Deus para usarmos em nossa defesa e ataque – foi assim que Jesus fez quando tentado pelo diabo. Lc 4:1-13); crescimento em habilidades ministeriais (nos ajudando a conhecer nossos dons, paixão e lugar certo no corpo de Cristo para nos sentirmos úteis.

Em segundo lugar você deve compreender e praticar as disciplinas espirituais de um discípulo de Jesus e se dedicar a elas de corpo, alma e espírito. Jesus nos ensina a vida simples, a comunhão, a oração, a Palavra de Deus, e o evangelismo (testemunho).

David Kornfield em seu Livro: As Bases na Formação de Discipuladores, pág. 25, Ed. SEPAL – escreve: “Um discípulo é uma pessoa cujo compromisso principal na vida é seguir a seu mestre, desenvolver-se para ser como seu mestre, e fazer a vontade de seu mestre.” Ser um discípulo integral e radical de Jesus é voltar a praticar as coisas que Jesus viveu. Como é sua vida? Simples e descomplicada com tempo para desfrutar do amor de Deus e se dedicar às pessoas que Deus coloca em sua caminhada? Sua comunhão com outros discípulos (crentes) é estreita, intensa e transformadora? Seu tempo dedicado a Palavra lhe dá encorajamento e direção, ouvindo a Deus aqui e agora em relação à sua vida e ministério? A oração faz parte de sua sociedade com Deus, recebendo orientação em todos os aspectos, não fazendo nada sem antes confirmar com Ele? Você compartilha do evangelho e seu testemunho, regularmente, com pessoas que não conhecem a Cristo?

Em terceiro lugar você deve assumir a responsabilidade de ser um discipulador. A Bíblia diz: “E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros” (2 Tm 2.2). Deus está buscando homens fiéis, pessoas dispostas a tornarem-se discipuladores. Elas renovarão o ciclo de crescimento com saúde da igreja brasileira. Penso que devemos segurar um pouco nosso crescimento e relançarmos os alicerces do discipulado. Deus está desejoso de levantar um movimento de pastores, líderes e crentes discipuladores em nossas igrejas. Meu desejo ainda é ver isto acontecendo nesta geração. Não seremos mais chamados de crentes, evangélicos ou protestantes; mais sim de discípulos! Discípulos de Jesus Cristo!

Desenvolvendo as características espirituais de um discípulo, observando e aprendendo com Jesus Cristo, e, sendo encorajados por outra pessoa que nos ama significativamente e caminha conosco de maneira interessada, e sendo discipuladores de algumas pessoas que Deus coloca em nossas vidas; teremos condições de nos tornar uma grande e saudável igreja evangélica no Brasil.

Perguntas para reflexão:

  1. O que você pode fazer para alcançar um discipulador/mentor para sua vida?
  2. Qual das disciplinas espirituais de um discípulo você tem mais dificuldade em praticar? Quais seriam alguns passos para superar esta falha?
  3. Quantas pessoas você tem influenciado de maneira tão significativa que podem chamá-lo de discipulador de suas vidas?

Marinho Soares da Silva Filho é pastor Metodista Livre e coordenador regional do MAPI em Cuiabá-MT

SOARES, Marinho. Qual o fator que mais inibe o crescimento da igreja evangélica no Brasil? Disponível em: http://www.mapi-sepal.org.br/defferartfatorInibe.htm. Acesso em 17 nov. 2008.

Visite: http://www.mapi-sepal.org.br

Abraços

07
dez
08

A Origem do Mal

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Acredito que a existência do mal é uma conseqüência da ausência de Deus, assim como a escuridão é a ausência de luz. Acredito que o mal não existe por si mesmo como uma força, um ser, sendo portanto abstrato, creio que o mal é um “estado”, assim como o amor, a paz, entre outras coisas, apesar de Satanás ser a personificação do mal. Em Gênesis 1 lemos que “a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo”, creio que trevas neste sentido era algo contrário a luz que seria criada em seguida.

Assim como somos usados por Deus, para executar suas ações na terra, podemos ser usados pelo mal, pois foi nos dado o livre arbítrio. A possibilidade de Deus utilizar o mal, não significa que Ele tenha a maldade em sua essência, mas que Ele controla todas as coisas, sendo assim, com a permissão de Deus, podemos sofrer algo mal, para nosso próprio crescimento, ou simplesmente para que se mostre seu poder, como no caso de Jó, pois no início do livro, fica claro que as situações que Jó passou não foram planejadas ou executadas por Deus, mas foram permitidas por Ele (Jó 1:12).

A relação de Deus com os israelitas no Antigo testamento, pode ser ainda mais perturbador neste sentido, uma vez que lemos claramente em Êxodo 20:13 a ordem de Deus para que os israelitas não matassem, mas prosseguindo um pouco mais na história, lemos em Deuteronômio 20:13-17 ordem do próprio Deus para destruir completamente os heteus, os amorreus, os cananeus, os perizeus, os heveus, e os jebuseus. Que paradoxo não é mesmo? Bem, tentando esclarecer um pouco estas questões, li o livro “Deus mandou matar?: 4 Pontos de Vista Sobre o Genocídio Cananeu” (Stanley Grenz*), e segundo os pontos de vistas apresentados creio que o mais pertinente foi defendido por Tremper Longman III, que defende o ponto de vista, intitulado de “Continuidade Espiritual”  conforme relato a seguir:

Muitos cristãos tem renegado o AT, afim de evitar o envolvimento com os atos sangrentos de Deus, encontrados naquelas páginas. Eles percebem uma grande diferença entre o Deus de Josué e Jesus Cristo, que ensinou a amar os inimigos e oferecer a outra face. Entretanto desprezar o AT é mera conveniência, e os que fazem isso ignoram o fato  de que o NT  se alicerça na revelação do AT, confirmando suas mensagens, explícita e implicitamente. Além do mais, como contataremos a seguir, o NT, em última análise é igualmente sangrento. Não é admissível que simplesmente separemos o AT do cânon das Escrituras e moldemos  o Deus que adoramos de acordo com o que pensamos ser aceitável. (LONGMAN III, 2006, p. 169)*

Desta forma acredito que não podemos limitar Deus em nenhuma situação, pois seus parâmetros de amor, justiça, etc, são muito além do nosso entendimento. Ele, em sua soberania e onipotência, possui o controle de todas as coisas e as usa conforme sua vontade, para cumprir seus planos.

*GRENZ, Stanley. et al. Deus Mandou Matar?: 4 pontos de vista sobre o genocídio cananeu. Tradução de Jamil Abdalla Filho. São Paulo: Vida, 2006. 215 p. Título original: Show them no mercy: four views on God and Canaanite genocide.




"Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados..." Hebreus 10:32
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