Archive for the 'História' Category

23
nov
09

A Igreja Segue Caminhando

Por  Ronaldo Lidório

Há, sem dúvida, abundantes motivos de preocupação com a Igreja em nossos dias. Em solo brasileiro, o mercantilismo da fé invadiu púlpitos, livros e corações. A prosperidade material, em lugar da santidade e serviço cristão, se tornou o sonho de vida vendido nas prédicas diárias. Os títulos hierárquicos da fé são criados na busca por autoridade e destaque de egos enquanto — talvez seja o pior — a Palavra é manipulada para fins pessoais e, não raramente, ilícitos.

Não discordo das vozes de preocupação ou das lágrimas de angústia por uma Igreja que tem se encantado com as luzes deste mundo, perdeu a simplicidade cristã e, em muitos casos, se conformou com o presente século, aplaudindo-o de pé.

Porém, vejo que, apesar de vivermos dias maus, há motivos de tremenda alegria e regozijo no Senhor, pois sua Igreja segue caminhando. E observar o cuidado do Senhor ao preservar o caminhar da Igreja — mesmo ao transitar por ruas esburacadas e esquinas escuras — é terapêutico para a alma e estimulante para a fé.

Nos últimos tempos, encantei-me com várias destas pessoas que fazem parte da Igreja “caminhante”. Lembro-me daquele pastor assembleiano que encontrei no Rio de Janeiro que, encarecidamente, pedia ajuda para subir o morro do Alemão, visto que andava de muleta por ter levado um tiro na última vez que o fez. Desejava subir novamente o morro para pregar a Palavra de Deus. Recordo-me com cores vivas também daquele mecânico de Brasília, tomado pela alegria da conversão após trinta anos de sofrimento nas drogas, e que agora não conseguia completar uma frase sequer sem falar de Jesus. Também o Sr. João, leigo e semianalfabeto, que se embrenhou nas matas amazônicas para pregar a Palavra e evangelizar — sozinho — seis aldeias indígenas, sem preparo, sustento ou reconhecimento, mas por amor ao Cristo vivo. Não poderia me esquecer de nossos teólogos que andam na contramão das tendências da época e, mesmo debaixo de críticas e risos, não deixam de nos apontar o caminho da Palavra e da fé. E o que mais poderíamos falar dos pastores e líderes com cabeças já embranquecidas que, após uma vida inteira de fidelidade ao Senhor e à sua Igreja, nos inspiram a seguir o mesmo caminho? E aqueles que gastam a vida, economias e forças para dar voz e uma mão amiga aos caídos à beira do caminho? É também formidável perceber que, a cada semana, em solo brasileiro, milhões se apinham em templos das mais variadas espécies para praticar a comunhão e, com sede de Deus, buscá-lo enquanto se pode achar.

Dentre as maravilhas de Deus em manter a sua Igreja viva em meio a um mundo cujas cores são fortes e atraentes, penso em três fatos que, apesar de simples, são para mim emblemáticos.

Em primeiro lugar, após ter voltado da África para o Brasil, e por estar aqui desde 2001, percebo por onde passo a presença de verdadeiras testemunhas do Senhor Jesus. Homens, mulheres, crianças e idosos que não param de falar de Cristo, distribuir panfletos com mensagens bíblicas, realizar encontros nas praças e seguir de casa em casa; pessoas que são impulsionadas a falar de Jesus a partir do que têm experimentado em suas próprias vidas — sincera transformação. Não há um lugar que passo que não tenha uma marca — mesmo que simples, ou às vezes até fora de contexto — da determinação de se falar daquele que fez algo novo e maravilhoso em nossa vida. Jesus está no coração da Igreja e, frequentemente, também em seus lábios.

Em segundo lugar, recebi um pacote de cartinhas de crianças da escola dominical de uma igreja no interior de Minas. Várias delas afirmavam estar orando por nós — missionários — para que não nos desviássemos do nosso chamado. Naquela manhã pensei: fazemos parte de um Corpo que possui crianças que oram, escrevem suas orações e, ainda, nos exortam a não nos esquecermos do sentido da nossa vida!

Por fim, o amor à Palavra. Muitos crentes a buscam, separam tempo para estudá-la, ouvi-la e comunicá-la. Em muitos cultos o momento mais sublime é o momento da Palavra. Olhos se concentram, pessoas se ajeitam nos bancos. A Bíblia é segurada com interesse enquanto canetas anotam explicações e aplicações em caderninhos ou papéis improvisados. Há algo diferente quando “ela” é aberta.

Sim, a franca evangelização, crianças que oram e o amor à Palavra não minimizam o quadro agonizante de uma Igreja que precisa de urgente e franca reforma de vida. Mas são alguns, dentre muitos outros, sinais de que esta Igreja segue caminhando, e o fará até o dia final quando seremos chamados — os que dormem e aqueles que vivem — para ouvirmos a doce voz do Senhor: “servo bom e fiel”…

O reverendo Francisco Leonardo Schalkwijk, ao impetrar a bênção ao fim de cada culto, sutilmente adiciona uma frase que nos lembra a diferença entre aqueles que se chamam Igreja e aqueles que o são: “Que a graça do nosso Senhor e Salvador seja com toda a Igreja “que sinceramente ama o Senhor Jesus”, agora e para todo o sempre, amém”. Para ele há na igreja aqueles que são de fato Igreja — amam sinceramente a Cristo — e aqueles que frequentam cultos, reuniões e púlpitos. Escutei a mesma verdade da boca de um indígena crente em Cristo, da etnia Ixkariana do Amazonas quando afirmou que “ser cristão é conhecer a Jesus, amá-lo, viver como ele e falar dele”.

Como muitos outros, fui criado em um lar evangélico e nasci ouvindo hinos cristãos clássicos. Um deles dizia: “Nas lutas e nas provas a Igreja segue caminhando…” e, após as estrofes que falam da luta contra o pecado, o diabo e o mundo, o hino encerra como atestando o inimaginável: “a Igreja sempre caminhando”.

Nos encontros evangélicos internacionais o Brasil é sempre citado, e quase sempre de forma emblemática e entre frases estereotipadas. Alguns afirmam o grande avivamento que por aqui ocorre, a semelhança de outros poucos países do mundo onde o número de evangélicos cresce tão rapidamente. Outros denunciam as teologias oportunistas e exploratórias que são usadas em nosso meio para falsificar a presença e a atuação de Cristo. Não raramente alguém me pergunta, como brasileiro, o que acho. A resposta sai quase de forma automática: somos tudo isso e muito mais. Em meio a este emaranhado de iniciativas, das mais sinceras às mais questionáveis, cria-se um ambiente fluido e confuso para nós. Porém, devemos lembrar que o Senhor não vê como vê o homem. Aquele que separa o joio do trigo conhece a sua Igreja, a ama e a sustenta.

Proponho um exercício espiritual enquanto caminhamos.

– Preocupar-nos um pouco menos com as loucuras feitas em nome de Cristo e um pouco mais com o nosso próprio coração, para que não venhamos a ser desqualificados.

– Olharmos mais para os desejos do Senhor sabendo que, para isto, precisaremos quase sempre estar na contramão do mundo.

– Observarmos a beleza da presença transformadora de Cristo em sua Igreja e tantos motivos de alegria, em tantas vidas verdadeiramente transformadas, e não somente os fartos motivos de agonia e indignação.

-Para cada palavra de crítica à Igreja — autocrítica, se assim quiser — termos uma palavra ou duas de encorajamento, para nosso irmão ao lado e para nosso próprio coração.

– Ouvirmos com zelo e temor os profetas que nos denunciam o erro, bem como os pastores que nos encorajam a caminhar.

– Não perdermos de vista Jesus Cristo, Cordeiro de Deus e vivo entre nós, para que a tristeza advinda da Igreja não nos impeça de experimentar a alegria do Senhor. Louvado seja o Senhor Jesus Cristo por ser ele, com sua autoridade e amor, e não nós, em nossa fraqueza e desamor, que faz com que a Igreja — que a ele pertence — siga caminhando.

• Ronaldo Lidório é missionário presbiteriano ligado à APMT e à Missão AMEM, entre os indígenas da Amazônia.

Texto extraído da Revista Ulimato. Disponível em http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2498&secMestre=2525&sec=2531&num_edicao=321 Acesso em 23 nov. 2009

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28
set
09

Diploma

DiplomaNa semana passada fui buscar o meu diploma de graduação, e isto me inspirou a escrever aqui…

Engraçado que já fiz até um curso de pós graduação e ainda não tinha meu diploma em mãos, pois a faculdade que estudei faz o registro dos diplomas junto ao MEC apenas uma vez por ano, por isso, demorei um ano para adquirir o “papel” que estudei  4 anos para possuir…

Quando a secretária pediu para que eu assinasse o diploma, me deu até um calafrio, de pensar que todas as situações eram contrárias para que eu concluísse um curso superior, mas em todas elas, Deus agiu poderosamente e deu vitória. Ali estava eu, definitivamente tomando posse de mais uma promessa de Deus para mim. Tive que me concentrar bastante para não tremer na hora de assinar, pois estava realmente ansioso.

Sai da sala e fui caminhando pela rua, admirando o papel pelo qual lutei durante tanto tempo, então, me recordei da nova Lei que permite a exercer a profissão de jornalista, sem curso superior, lembrei do meu amigo recém formado em jornalismo, que passou por lutas muito maiores que a minha, para se formar, e acabava de ser desprestigiado pelo nosso governo, com essa punhalada pelas costas. Questionei o valor do papel que estava em minhas mãos… Imaginei se ocorresse o mesmo com a profissão de administrador (e já hipóteses sendo levantadas…), pensei no tempo por um instante e percebi que já havia se passado um ano que terminei o curso, já fiz um curso de pós-graduação e conclui que o papel que estava em minhas mãos perderia o valor mais cedo ou mais tarde e ele não me dava garantia alguma.

Fiquei apreensivo, um pouco confuso, e em certo tempo, me recordei de uma passagem, que é mais verdadeira que os meus 4 anos de curso e até mesmo do papel que segurava nas mãos:

“Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo, com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.” Efésios 1:13

Eu tenho um selo que me garante uma herança, independente das situações que possam me cercar aqui na terra. Essa é minha verdadeira garantia. O selo do Espírito em mim é meu verdadeiro diploma. Jesus intercede por mim, e se Ele é por mim, quem será contra mim?

É necessário um exercício constante para retirar os olhos das coisas deste mundo, precisamos estar sempre conectados com a verdade do céu para nós, mantendo nossa mente repleta das coisas que vêm do alto. Essas coisas são mais reais do que as coisas que pegamos, sentimos e possuímos… Deus é maior!

07
nov
08

Desperta Igreja

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“Uma missão… Uma paixão… Um compromisso! Levando o Evangelho àqueles que nada ouviram” At. 20.24

logo

Entre os dias 27 de outubro e 02 de novembro, aconteceu na Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte a 4ª Conferência Missionária Desperta Igreja. Mais uma vez foram dias impactantes em que fomos despertados a viver missões seja indo, contribuindo, enviando, ou apenas orando, mas sempre levando Jesus e as Boas Novas.

Na primeira noite, tivemos a marcante presença do ministério de adoração profética Intimidade, originado no CTMDT, e completamente voltado a missões, com a palavra do Pastor Sérgio Ribeiro da JUVEP – Paraíba, que também pregou na segunda noite, porém com o louvor do Pr. André Valadão.

Na terceira noite, tivemos o louvor da Fernanda Brum, ainda com a palavra do Pr. Sérgio. Na quarta noite, tivemos o louvor com a Fernanda Brum, porém com a palavra da Jeannette Lukasse, uma missionária holandesa, que nos encorajou a nos despertarmos pela próxima geração: as crianças.

Minha grande expectativa estava nas ministrações do Pr. Gregório MacNutt, que ocorreram nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, pelo fato de ter escutado algumas músicas de seu novo CD alguns dias antes e ouvir resposta do Senhor em relação ao Seu grande amor por mim, e também pelo verdadeiro avivamento em minha igreja. Eu desejo muito isso e peço constantemente e Deus, e quando ouvi uma pessoa que tem o mesmo desejo que eu, pude perceber que Deus está movendo, e que em breve, algo novo irá acontecer… Nas ministrações do Pr. Gregório, fomos confrontados a amar as nações, a buscá-las e entregar nossas vidas a verdadeira causa que move o coração de Deus.

No domingo, último dia da conferência tivemos o louvor com o Diante do Trono, e as noticias do campus da missionária Zaza que está na Tunísia. Grandes coisas o Senhor tem feito pelo mundo!

Mais uma vez fomos encorajados a nos despertar para o que o Senhor deseja de nós. Que realmente nos possamos nos apaixonar, nos comprometer e levar o evangelho a todas as nações!

Sobre a 4ª Conferência Desperta Igreja:

Fotos: Clique aqui

Entrevistas: Clique aqui

Vídeos: Clique aqui

Abraços.

25
out
08

O Último Sermão

Em 24 de agosto de 1662, dois mil ministros puritanos do evangelho foram excluídos de seus púlpitos, tendo recebido a ordem de não mais pregarem em público. O Ato de Uniformidade, baixado pelo parlamento inglês, conhecido pelos evangélicos como a Grande Ejeção, pairava por sobre a Inglaterra como uma nuvem espessa. Muitos líderes eclesiásticos da Igreja Anglicana, a religião oficial, estavam forçando os puritanos a cessarem suas prédicas ou a se moldarem à adoração litúrgica decretada por lei. Muitos ministros preferiam o silêncio à transigência.

 

Com olhos marejados de lágrimas, milhares de cristãos humildes ouviram seu último sermão no domingo imediatamente anterior à data em que o Ato se tornaria lei. E, naquele último domingo de liberdade, os ministros puritanos provavelmente pregaram os seus melhores sermões.

 

O sermão que passamos a transcrever, de modo um tanto abreviado, foi pregado por Thomas Watson a seu pequeno rebanho.

 

_______________________________________________________

 

Antes que eu me vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para vossas almas. Eis as vinte instruções que tenho a dar a cada um de vós, para as quais desejo a mais especial atenção:

 

1) Antes de tudo, observa tuas horas constantes de oração a Deus, diariamente. O homem piedoso é homem “separado” (Sl 4.3), não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Inicia o dia com Deus, visita-O pela manhã, antes de fazeres qualquer outra coisa. Lê as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as tuas manchas e um lavatório onde podes branquear essas máculas. Adentra ao céu diariamente, em oração.

 

2) Coleciona bons livros em casa. Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual poderás refrigerar-te. Quando descobrires um arrepio de frio em tua alma, lê esses livros, onde poderás ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração.

 

3) Tem cuidado com as más companhias. Evita qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outrem; mas pode-se apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente transmissível. Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. Está escrito acerca do povo de Israel que “se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras” (Sl 106.35). As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias!

 

4) Cuidado com o que ouves. Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, aconselhou-nos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15). Sê como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). Aos crentes é mister um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e o guisado colocado à sua frente pelo diabo.

 

5) Segue a sinceridade. Sê o que pareces ser. Não sejas como os remadores, que olham para um lado e remam para outro. Não olhes para o céu, com tua profissão de fé, para, então, remar em direção ao inferno, com tuas práticas. Não finjas ter o amor de Deus, ao mesmo tempo que amas o pecado. A piedade fingida é uma dupla iniqüidade. Que teu coração seja reto perante Deus. Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua jóia. O salmista disse sobre Deus: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6).

 

6) Nunca te esqueças da prática do auto-exame. Estabelece um tribunal em tua própria alma. Tem receio tanto de uma santidade mascarada quanto de ires para um céu pintado. Julgas-te bom porque outros assim pensam de ti? Permite que a Palavra seja um ímã com o qual provarás o teu coração. Deixa que a Palavra seja um espelho, diante do qual poderás julgar a aparência de tua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos. “De noite indago o meu íntimo”, disse o salmista (Sl 77.6).

 

7) Mantém vigilância quanto à tua vida espiritual. O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. O crente precisa estar constantemente alerta. Nosso coração se assemelha a uma “pessoa suspeita”. Fica de olho nele, observa o teu coração continuamente, pois é um traidor em teu próprio peito. Todos os dias deves montar guarda e vigiar. Se dormires, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas.

 

8 ) O povo de Deus deve reunir-se com freqüência. As pombas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. “Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros” (Ml 3.16). Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas. Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como árvores de santidade. Medram melhor na piedade quando crescem juntos.

 

9) Que o teu coração seja elevado acima do mundo. “Pensai nas coisas lá do alto” (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto. Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento.

 

10) Consola-te com as promessas de Deus. As promessas são grandes suportes para a fé, que vive nas promessas do mesmo modo que o peixe que vive na água. As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição.

 

11) Não sejas ocioso, mas trabalha para ganhar o teu sustento. Estou certo de que o mesmo Deus que disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”, também disse: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”. Deus jamais apoiou qualquer ociosidade. Paulo observou: “Estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão” (2 Ts 3.11-12).

 

12) Ajunta a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e eqüidade para com o próximo. O apóstolo Paulo reúne essas duas idéias, em um só versículo: “Vivamos, no presente século… justa e piedosamente” (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade. Alguns simulam ter fé, mas não têm obras; outros têm obras, mas não têm fé. Alguns se consideram zelosos de Deus, mas não são justos em seus tratos; outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus.

 

13) Em teu andar perante os outros, une a inocência à prudência. “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). Devemos incluir a inocência em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia; e precisamos incluir sabedoria em nossa inocência, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza. Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros, e que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós nem nos manipulem.

 

14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos. Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranqüila. Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz. Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete.

 

15) Foge da idolatria. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-te dos ídolos e tem cuidado com as superstições.

 

16) Não desprezes a piedade por estar sendo ela perseguida. Homens ímpios, quando instigados por Satanás, vituperam, maliciosamente, o caminho de Deus. A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la.

 

17) Não dá valor ao pecado por estar atualmente na moda. Não julga o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho. Pensamos bem sobre uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos? “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11)

 

18) No que diz respeito à vida cristã, serve a Deus com todas as tuas forças. Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11).

 

19) Faze aos outros todo o bem que puderes, enquanto tiveres vida. Labuta por ser útil às almas de teus semelhantes e por suprir as necessidades alheias. Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo. Ele saiu a fazer o bem. Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima.

 

20) Medita todos os dias sobre a eternidade. Pois talvez seja questão de poucos dias ou de poucas horas – haveremos de embarcar através do oceano da eternidade. A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna. A cada dia, passa algum tempo a refletir a respeito da eternidade. Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade. Em conclusão, não devemos superestimar os confortos deste mundo. As conveniências do mundo são muito agradáveis, mas também são passageiras e logo se dissipam. A idéia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. A aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória. Considerai o que vos tenho dito, e o Senhor vos dará entendimento acerca de tudo. 

 

Thomas Watson

 

Watson citado por VALADÃO, Ana Paula. Recomendações para se Viver Bem. Disponível em: http://blogdaana.wordpress.com/2008/04/01/recomendacoes-para-se-viver-bem/. Acesso em 01 abr. 2008.

 

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14
set
08

1 Ano

“Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos.” Dt 4:9

 

Lembro-me claramente quando comecei a perceber a importância da história. Ao ler a Bíblia, parecia que os versículos que afirmavam a importância da história, ficavam mais evidentes (leia mais aqui). Ao ler um texto na internet, lá estava a história novamente (leia post clicando aqui). Ao ir a igreja, as pregações falavam claramente a respeito da importância da história (leia sobre isso aqui). Ao ler um livro, lá estava descrito a importância da história (leia mais clicando aqui). Até mesmo na faculdade, em meio a uma aula a professora nos ensinava a prestar mais atenção em nossa história. Onde quer que eu fosse lá estava alguém falando a respeito desta história.

 

No livro de Hebreus, capitulo 10, versículo 32, lemos: “Lembrem-se dos primeiros dias…”. O autor instigava o povo de Hebreus a resgatarem sua história para que mantivessem a essência do cristianismo no meio deles. Da mesma forma, nós hoje, devemos nos lembrar do que o Senhor fez por nós e também pelos israelitas. Não há melhor forma de mantermos vivo o nosso testemunho do que escrevermos. Muitas vezes somos confrontados com as situações que tentam apagar nossas experiências e nos fazem imergir apenas nas circunstâncias que nos cercam.

 

Neste contexto, percebi a importância de registrarmos a nossa história. Escrever nossos vários momentos para que depois de um tempo tenhamos claramente nossa caminhada descrita. Processo de extrema importância para que possamos nos conhecer melhor e definirmos onde estávamos, onde chegamos, onde falhamos… Foi nesse momento que tive a idéia de criar um blog que deveria expressar a importância da história.

 

Exatamente no dia 14 de setembro de 2007, publiquei o primeiro post deste blog e desde então, foram 54 posts, 44 comentários e uma média de 960 visitas por mês! Glória a Deus por isso!

 

Com a chegada dos comentários, percebi que além de um importante registro, este diário on-line também possui a importante função de levar uma mensagem diferenciada a muitas pessoas. Como é bom poder fazer Jesus conhecido!

 

Espero que cada dia mais as pessoas sejam edificadas com as mensagens e que elas saibam o quanto são amadas por Jesus!

 

para que contes aos ouvidos de teus filhos, e dos filhos de teus filhos, as coisas que fiz no Egito, e os meus sinais, que tenho feito entre eles; para que saibais que eu sou o SENHOR.” Ex 10:2

 

Abraços!




"Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados..." Hebreus 10:32
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